terça-feira, 2 de setembro de 2008


Eu faço parte daquele pequeno grupo de pessoas que tapa os ouvidos entre a grande massa que pula, canta e grita ao ouvir qualquer música do Legião Urbana. O engraçado é que mesmo que a música seja aquela que inspira suicídio já na primeira nota [uuuuuh, quero colooo], a legião de fãs orfãos levanta os bracinhos, fecha os olhos e, suados, começam a cantar cada sílaba, como se os próprios tivessem composto a canção.

Bom, vim aqui para me redimir. Ontem, na aula de literatura, meu adorado professor colocou aquele especial da Globo, "Por Toda a Minha Vida" para assistirmos e, adivinha ? Tiro e queda: era sobre o Renato Russo. A minha primeira reação foi tapar os ouvidos e dizer "EU - ODEIO - LEGIÃO !". Mas, "ok, vamos tentar", resolvi ficar ali mesmo e assistir à trajetória do ídolo 'caradenerd' da geração Coca-cola; fiquei impressionada, confesso. Quem diria que por trás daquela dancinha de bonecão do posto que ele fazia nos shows havia um rapaz tímido ?

O que mais me impressionou foi a força com a qual ele contou à sua mãe sobre sua homossexualidade "mãe, eu gosto de meninos". PORÃN, quem é que tem coragem de fazer isso ? Se nos dias de hoje, onde a passeata gay recebe até mesmo famílias, ainda rola um preconceito, imagine no auge dos anos 80, com toda aquela repressão, apesar da liberdade que os jovens já tinham naquela época.

Renato era um intelectual; um ano numa cadeira de rodas por uma doença no fêmur e o rapaz teve uma overdose de literatura e música, transformando seu quarto em uma oficina de idéias românticas e suicidas e escrevendo suas primeiras músicas geniais que em uma década o transformariam em ícone da música brasileira, rockstar que arrastou multidões e poeta dos jovens incompreendidos [todos da época, diga-se de passagem].

E aí vinha a tal depressão criativa. Numa crise de alguma coisa, ele cortou os pulsos; mas qual poeta nunca teve pensamentos suicídas ? Renato, apesar do ano em que passou na cadeira de rodas e da sua homossexualidade que gerava preconceito, não tinha tantos problemas assim; tinha uma mãe carinhosa, amigos, uma banda e um emprego, mas depressão faz parte do processo criativo, vai entender, né.

5 comentários:

lluiza disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
lluiza disse...

ah, agora ele é genial?
hahahaahah
eu gosto um pouco, (apesar de achar que o Renato Russo era bixinha demais) acho que todo mundo teve sua fase legião.
você é que não gosta de nada oitentista.
eu já respeito e acho que teve muita coisa legal naquela época.
O texto tá bacana, Manu.
eu gosto do jeito que tu escreve. parece que tá conversando com a gente.


Beijospassanomeublog. ;)

haushaushasuhasuahs

Kαmillα disse...

concordo com a parte do EU ODEIO LEGIAO !

Bruna Tenório disse...

'o rapaz teve uma overdose de literatura e música, transformando seu quarto em uma oficina de idéias românticas e suicidas' oO' sério, se isso fosse a primeira frase, eu pensaria que vc tava falando do victuxo. mais um ex gay eu me mato, juro. :O

Rafael Oliveira disse...

ai, tb tenho um asco por fãs do legião...

num é nem pela banda ou pelo Renato, é por causa do fãs mesmo. quando se junta um grupinho pra cantar Faroeste Caboclo? puta q pariu...


ei, dei mó valor o blog...vou visitar sempre. mas mantêm atualizado por favor..

bjo!